
Foi sancionada a lei que prevê a ampliação da oferta de medicamentos trombolíticos na rede de urgência e emergência do SUS, incluindo as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). A medida busca garantir acesso mais rápido ao tratamento de pacientes com infarto e AVC isquêmico, situações em que o tempo entre o diagnóstico e o início da terapia é determinante.
Os trombolíticos são medicamentos utilizados para dissolver coágulos que bloqueiam a circulação sanguínea. Conforme avaliação clínica, podem ser empregados no tratamento do Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e do AVC isquêmico, reduzindo o risco de morte e de sequelas quando administrados no período adequado.
O que muda na prática?
Os protocolos do SUS já preveem o uso desses medicamentos nos serviços de urgência e emergência, inclusive nas UPAs. Atualmente, porém, a aquisição é responsabilidade dos gestores locais. A nova legislação pretende aprimorar a oferta e ampliar a disponibilidade dos trombolíticos na rede pública.
O Ministério da Saúde também criou um comitê para acompanhar a implementação das linhas de cuidado de AVC e infarto. O grupo contará com a participação de estados e municípios e deverá propor estratégias para tornar mais ágil o percurso entre diagnóstico, início do tratamento e encaminhamento aos serviços de referência.
O desafio para estados e municípios
Para a gestão, ampliar a disponibilidade do medicamento é apenas uma parte do processo. O atendimento depende também de equipes capacitadas, diagnóstico rápido, protocolos definidos, regulação eficiente e integração entre SAMU, UPAs e hospitais de referência. A própria Rede de Atenção às Urgências estabelece que esses diferentes pontos precisam atuar de forma articulada.
A urgência é especialmente relevante nesses casos. O Brasil registra entre 300 mil e 400 mil infartos por ano e, somente em 2025, o SUS contabilizou 292 mil atendimentos por AVC, dos quais 218 mil foram relacionados ao tipo isquêmico.
O uso de trombolíticos também já ocorre no atendimento pré-hospitalar. Atualmente, 102 unidades do SAMU 192, distribuídas por sete estados, estão habilitadas para receber recursos destinados ao uso da tenecteplase. Em 2025, foram registradas 861 aplicações do medicamento pelo serviço.
Com a nova legislação, a expectativa é fortalecer essa estrutura e ampliar a capacidade da rede para iniciar o tratamento em tempo oportuno, inclusive em municípios onde o acesso a procedimentos de maior complexidade exige deslocamento até outra unidade.
Fonte: Ministério da Saúde
Foto: João Risi/MS